Maria Maria

"Ela tem um dom, uma certa magia, uma força que nos alerta; Uma mulher que merece viver e amar como outra qualquer do planeta...
Ela é a dose mais forte e lenta, de uma gente que ri quando deve chorar, e não vive, apenas aguenta...
Ela tem força, raça, gana, manha, graça e sonho, e mistura a dor e a alegria...
Ela traz na pele essa marca e possui a estranha mania de ter fé na vida"

(Milton Nascimento)
14/03/2010



quarta-feira, 22 de agosto de 2012

ESCURIDÃO

NÃO QUERO PIEDADE, QUERO AMOR. NÃO QUERO FILANTROPIA, QUERO AMPARO.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

PUTA

Puta?
Se ser puta é se entregar de corpo e alma a um homem, sim, sou puta.
Se ser puta é sorrir e chorar de prazer, sim, sou puta.
Se ser puta é abrir minhas pernas pra quem eu quero, quando quero e como quero, sim, sou puta!
Se ser puta é nao ter falsos pudores e amar o próprio corpo, sim, sou mil vezes puta!
Se ser puta e sentir prazer vendo um homem se perder dentro de mim, sim, sou puta.
Se falar sacanagens e sorrir, brincar e gemer como uma tigresa louca na cama, sou literalmente uma puta.
O meu corpo nem por isso deixou de ser sagrado.
Limpo.
Digno de ser amado.
Nunca me senti indigna por ser puta.
Amo o meu corpo.
Amo o meu jeito de andar, de falar, de ter dentro de mim uma menina que insiste em não crescer em certos momentos, principalmente ao lado de um homem generoso, carinhoso, que me faz sentir protegida, amada.
Os homens que me possuiram não souberam aproveitar o melhor de mim porque além de puta eu sou uma mulher do caralho.
O meu jeito de ser assusta-os.
Homens querem mulheres de comportamento submisso.
Estou além dos tempos.
Além...
Penso além de tudo que vejo nos casais.
O que chamam de respeitoso eu interpreto como medo da perda, comodismo.
Poucas mulheres libertaram-se do medo de lidar com a independência, com a responsabilidade de resolver sozinha os seus próprios problemas.
Quando estou num relacionamento e me mostro solta, livre, os homens sentem-se agredidos e me agridem.
E eu nao abro mão da minha essência.
De bens que adquiri com a vida.
Que me são caros.
Não... nem em nome do amor.
Jamais serei submissa a um homem, por mais que ele me faça falta.
Sei que farei bem mais falta a ele.
Por mais que ele me agrida.
Dentro de seu coração magoado está um machista ferido.
Dentro de um coração sofrido e solitário está uma feminista lutando por uma causa nobre.

FECHADA PARA BALANÇO

Nem tudo que te estimula a lutar, sonhar, planejar, esperar, cativar, é sinal de que tua vida será feliz. Os sinais contrários vão aparecendo,
mas a gana é tão grande que você se torna cega e não dá importância,
pensa que faz parte dos obstáculos à serem vencidos.
Nem sempre.
É preciso estar atenta.
Esta falta de atenção pode custar caro.
Chegar ao final da linha e ver que tudo foi em vão é um saldo difícil de ser superado.
O investimento foi grande.
E quem pagará a conta?
A nossa teimosia em pensar que querer é poder.
Agora é fechar pra balanço!

terça-feira, 14 de agosto de 2012

OBSERVAÇÃO

A claridade da manhã me ofusca.
O meu cérebro fica cada vez mais resistente aos remédios.
Penso, penso, penso.
Quanto mais penso, mais me perco.
Mais me sinto longe da humanidade.
Quando saio, observo as pessoas transitando e me sinto transparente ou como se estivesse fazendo parte de um filme no qual eu fosse a única espectadora.
Observo tudo e todos.
É tudo muito igual.
Os trajes, as manias.
Todos agora andam com seus fones de ouvidos como robôs.
Mesmos se quisessem não perceberiam que são observados.
Observo os jovens.
Na minha época de adolescência fazíamos a maior algazarra nos ônibus.
Será que também tomam rivotril?

sábado, 11 de agosto de 2012

VAZIO


Tenho 50 anos. 

Sinto-me sem rumo. 

Lerda. 

Vazia. 

Louca. 

Observo tudo e não vejo sentido em absolutamente nada. 

Tudo que alegra aos outros eu acho uma merda. 

Nada pessoal

A merda tá em mim. 

Eu que devo ter virado uma merda. 

Que não devo ter criado um mundo colorido pra mim, cheirando a flores. 

Me afastei dos amigos, e quando os encontro é como se eles falassem através de uma vidraça. Através de um tempo passado. 

Me sinto longe deles porque minha vida e suas emoções não sincronizam. 

As suas crenças não batem com as minhas. 

Aliás, não tenho crenças. 

Não tenho sonhos. 

Não tenho projetos. 

Nao tenho nada que não seja isso aqui, estas letras. 

O que está saindo agora da minha cabeça. 

Por estar dopada, não sinto nem emoção. 

Não sinto falta de nada, nem de ninguém. 

Tanto faz sol ou chuva. 

Noite ou dia. 

Calor ou frio. 

Barulho ou silêncio. 

A única vontade que tenho é de escrever. 

E nem sei porque. 

Talvez pra deixar registrado o que sente uma pessoa quando chega a esse estado vegetativo. 

Não quero nada.

Talvez apenas que o tempo pare.

AMOR INCONCEBÍVEL


Todos falam dos males dos remédios que eu tomo.

Eu amo os efeitos que eles me causam.

Sinto que tudo está em câmera lenta.

Sinto flutuar na loucura de mim mesma.

Nada mais importa.

A dor foi apaziguada.

A impaciência me deixou em paz.

Os pensamentos que me levavam a impotência, a pressa, a solidão...

Estou livre!

Os pensamentos permanecem, mas não doem mais.

Agora sinto mais ordem e meu cérebro.

Posso dormir ou não.

Amo esses remédios.

Odiosos remédios!   

sábado, 4 de agosto de 2012

"Ninguém vive a paixão impunemente. A intensidade é uma doença contagiosa e eu não concebo a vida sem contágios. Sei sobre a dor da solidão, do vazio, da saudade, da falta de ar e a perda de chão. Mesmo assim, nada foi em vão"